Segue uma narrativa mais detalhada de cada um desses setores.
O setor primário, desde os primórdios históricos do município, têm sido aquele que tem alavancado a sua economia. Primeiramente a pecuária e o extrativismo de diamante foram o carro-chefe, acompanhado de uma agricultura quase de subsistência, com destaque para o arroz, o feijão e o milho. Com o passar dos anos a pecuária e o extrativismo continuaram sendo uma das forças do setor, no entanto, a agricultura despertou-se de forma proeminente, e as antigas pastagens e terras de cerrado foram dando espaço para o café e a soja.
Foto nº. 20 - vista plantação de Café Foto nº. 21 - Foto de plantação de soja
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Café
O município de Coromandel conta com 527 produtores de café em 548 propriedades, desse total, 5% deles, 26 produtores produzem para consumo e o restante tem a comercialização como principal objetivo.
A tecnologia utilizada segundo os entrevistados, tem se equiparado aos melhores centros produtores, e tende a melhorar devido as exigências do mercado e busca do aumento da produtividade.
A tabela 4.1.1.1 demonstra a produção e a área utilizada nos últimos anos.
Tabela 4.1.1.1- Produção de Café
Anos |
1.990 |
1.991 |
1.992 |
1.993 |
1.994 |
1.995 |
1.996 |
1.997 |
1.998 |
1.999 |
Ton. |
20.020 |
25.200 |
18.720 |
24.000 |
18.000 |
12.000 |
26.400 |
15.840 |
30.355 |
25.225 |
Área/ha |
13.900 |
14.000 |
13.000 |
10.000 |
10.000 |
10.000 |
10.000 |
10.000 |
13.000 |
14.700 |
Fonte: EMATER
A irrigação é bastante utilizada, e de acordo com as pesquisas, está entre 60% a 70% das lavouras. O sistema de irrigação por canhão era bastante utilizado até 3 anos atrás, mas devido ao desperdício de água e exigências maiores com o meio ambiente, vem decrescendo a sua utilização. De todos os sistemas, esse é o menos adequado. O melhor é o gotejamento, trazendo maiores benefícios para o produtor, pois além de irrigar, pode também ser usado para fertilizar e aplicar defensivos, porém o seu custo de instalação é mais elevado.
De acordo com as informações obtidas, está assim distribuído os sistemas de irrigação nas lavouras do município:
Foto nº. 22 Irrigação por canhão Foto nº. 23 Irrigação por Pivô Central
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A mão de obra usada no café vem decrescendo com o passar dos anos em conseqüência da fiscalização trabalhista e burocracia encontrada pelos produtores, que tem investido em tecnologia na manutenção das lavouras e na colheita. Muitos trabalhadores vinham de outras localidades à época da colheita, e atualmente esse quantitativo tem diminuído. Segundo informações existem no município 8 colheitadeiras e cada uma faz o trabalho de 100 pessoas. O café tem tem utilizado 80% de mão de obra de trabalhadores do município de Coromandel, sendo o restante de outras cidades.
Outras culturas
Além do café e da soja outros produtos mnerecem destaque, como pode-se perceber no quadro 4.1.1.2:
Tabela 4.1.1.2 Área Plantada
Área em Hectares |
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Produtos/Anos |
1.995 |
1.996 |
1.997 |
1.998 |
1.999 |
| Arroz | 2.040 |
642 |
324 |
474 |
424 |
| Feijão | 658 |
650 |
1.245 |
1.337 |
2.050 |
| Milho | 6.000 |
5.000 |
8.500 |
6.500 |
6.500 |
| Soja | 14.000 |
14.000 |
14.000 |
14.500 |
14.000 |
| Tomate | - |
- |
- |
160 |
180 |
| Batata | 75 |
225 |
222 |
245 |
190 |
Fonte: EMATER/MG
Tabela 4.1.1.3 - Produção Agrícola
Produção / Toneladas |
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Produtos/Anos |
1.995 |
1.996 |
1.997 |
1.998 |
1.999 |
Arroz |
2.696 |
970 |
482 |
681 |
586 |
Feijão |
829 |
922 |
2.138 |
2.400 |
2.805 |
Milho |
21.600 |
21.000 |
38.250 |
29.250 |
29.250 |
Soja |
29.200 |
30.800 |
30.800 |
24.800 |
30.800 |
Tomate |
- |
- |
- |
10.448 |
10.800 |
Batata |
1.361 |
4.500 |
5.514 |
6.150 |
4.817 |
Fonte: Emater
O milho é bastante cultivado e atualmente ocupa uma área de 6.500 há, com uma producão anual média de 30.000 tonelada
A partir de 1998, o cultivo do tomate tem tomado espaço e atualmente a produção já está em 10.800 toneladas.
A batata, o feijão, o algodão e o maracujá são cultivos que merecem destaque.
Pecuária
A pecuária tem sido uma das vocações do município, sendo a pecuária de leite a mais praticada.
Foto Nº. 24 - Rebanho bovino
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A grande extensão territorial do município é fator importante para sua potencialidade, possuindo inclusive grandes produtores de leite na região. O rebanho bovino é considerável conforme tabela 4.1.1.4 , com expressiva quantidade de vacas para ordenha.
Tabela 4.1.1.4 Rebanho Bovino
Ano |
1.970 |
1.980 |
1.985 |
1.994 |
1.996 |
1.999 |
No cabeças |
90.361 |
106.162 |
112.061 |
106.500 |
118.048 |
117.368 |
Fonte: IBGE; EMATER
A inseminação artificial foi implementada no município com apoio da Prefeitura Municipal. O programa iniciou-se no final da década de 80, prestigiando os pequenos produtores que não tinham condições para tal investimento. O fato desencadeou uma melhoria no plantel leiteiro em toda região e atualmente, segundo as entrevistas, 20% dos produtores utilizam esta técnica.
De acordo com entrevistados, o rebanho é misto com cerca de 60% da raça girolando, recebendo tratamento especial em época da seca. Mas segundo informações coletadas, esta alimentação tem sido insuficiente em muitas propriedades. O tratamento é realizado utilizando ração e silagem. A maioria dos produtores, cerca de 80%, utilizam o sistema de duas ordenhas diárias, que podem ser de forma manual ou mecânica. A ordenha mecânica necessita de um sistema de higienização bastante cuidadoso, demandando conhecimento e experiência, pois é uma forma de transmissão de doenças nas vacas leiteiras, e segundo alguns entrevistados não tem diminuído a mão de obra. Por esta razão muitos produtores ainda tem utilizado a ordenha tradicional, outros chegam até a usar os dois sistemas.
As pastagens são na grande maioria artificiais, compostas pelas braquiárias, uma das características desse tipo de pastagem é estar sempre necessitando de manutenção e reformas, onerando os custos , principalmente para o pequeno produtor.
A produtividade melhorou bastante nesta ultima década, em conseqüência do uso de melhores tecnologias. Em concursos leiteiros realizados em Coromandel, alguns animais chegam a produzir mais de 50 kg de leite por dia, se igualando aos maiores produtores do mundo. Porém a média do município segundo os produtores está em torno de 6,5 kg/dia por animal.
Essa média está acima da média nacional, contudo distante ainda dos níveis dos maiores países produtores de leite. A abertura do Mercosul tem prejudicado a produção e comercialização no país, afetando também o município, trazendo dificuldades para a classe leiteira.
O gráfico 4.1.1.5 mostra o quadro de criadores de gado leiteiro e de corte e sua evolução nestes últimos anos:
Tabela 4.1.1.5 - criadores
Anos |
Criadores |
| 1.993 | 1.498 |
| 1.994 | 1.436 |
| 1.995 | 1.012 |
| 1.996 | 1.058 |
| 1.997 | 1.049 |
| 1.998 | 1.025 |
| 1.999 | 1.035 |
Fonte: IMA
Gráfico 4.1.1.1

Fonte: IMA
A tabela4.1.1.5demonstra uma diminuição do número de criadores de 1.994 para 1.995 da ordem de 30%, mantendo o mesmo patamar após este período. Segundo pesquisas, isto ocorreu devido as dificuldades advindasapós a implantação do plano real. Segundo pesquisas, os mais prejudicados foram os pequenos produtores que por falta de estrutura e capital deixaram o setor.
Conforme opinião da classe, os custos de produção subiram muito, inviabilizando a produção em algumas propriedades, forçando a venda do plantel bovino para outros produtores. A produção de leite do município, segundo as pesquisas é de 100.000 a 105.000 litros/dia, que são absorvidos pelos laticínios existentes e postos de resfriamento de grandes laticínios do país localizados em Coromandel. Boa parcela desse leite, cerca de 30%, é utilizado pelos produtores para produção de queijos caipira, tendo um forte comércio na região, sendo, inclusive exportado para outros estados. Aqueles que fabricam o queijo, utilizam o subproduto, que é o soro, para criação doméstica de suínos.
Não existe no município uma cooperativa do setor, e segundo entrevistados a união da classe leiteira é inexistente.
O produtores de leite têm se beneficiado de convênios no comércio local, realizado pelos laticínios e postos de resfriamento.
Estrutura Fundiária
O município de Coromandel possui uma área extensa, bem maior que a maioria dos municípios vizinhos, tendo 1.681 propriedades rurais, segundo informações da Emater, totalizando 287.004 hectares, visualizados na tabela 4.1.1.6.
Tabela 4.1.1.6 Estrutura Fundiária
Tamanho |
Nr. Produtores |
% |
Área total (hect) |
% |
| Até 10 h. | 168 |
10 |
739 |
0.3 |
| De 10 a 50 h. | 505 |
30 |
14.001 |
5 |
| De 50 a 200 h. | 606 |
36 |
63.006 |
21,9 |
| De 200 a 500 h. | 276 |
16 |
85.165 |
29.6 |
| De 500 a 1000 h | 88 |
5 |
59.315 |
20.6 |
| Acima de 1000 h. | 38 |
3 |
64.778 |
22,60 |
| Total | 1.681 |
100 |
287.004 |
100 |
Fonte: EMATER Ref. 1.996
Analisando a tabela 4.1.1.6, percebe-se que 1.111 propriedades estão na faixa de 10 a 200 hectares, isto representa 66,0% dos produtores o que demonstra que apesar da grande extensão territorial do município, há uma boa distribuição das terras, predominando a pequena e média propriedade. Isto pode trazer benefícios, ajudando a fixar o homem ao campo, gerando produção e riquezas, evitando o êxodo rural e o desemprego na cidade.
A posse da terra está assim distribuída conforme a tabela 4.1.1.7:
Tabela 4.1.1.7 Posse da Terra / Ano 1.996
Posse da Terra |
Qtde |
% |
| Proprietário | 1.483 |
87,91 |
| Arrendatário | 56 |
3,32 |
| Parceiro | 25 |
1,48 |
| Posseiro | 123 |
7,29 |
| Total | 1687 |
100,00 |
Fonte: EMATER
Extrativismo
Em Coromandel, destaca-se o garimpo de diamante, a extração de argila cerâmica, jazidas de calcários e fosfato natural.
Favorecido pela extensão do município na abundância de leitos de rios, ribeirões e córregos, o garimpo de diamante sempre foi uma atividade em destaque desde a sua povoação. Tem empregado boa parcela da população, na grande maioria informal, tópico que será abordado mais a frente em "Economia Informal". Segundo as entrevistas cerca de 3.000 pessoas trabalham na atividade.
Não existe como realizar um levantamento de dados da produção desta atividade em razão da sua informalidade e pela evasão das divisas. A venda do produto (diamante), é realizada sem um controle. O reflexo dessa produção se vê em alguns casos, na aquisição de bens móveis e imóveis e na construção civil. As pedras normalmente são vendidas para compradores de outras localidades e até do exterior, muitas vezes tendo intermediários que ficam com boa parte do lucro.
A falta de cooperativismo é fato relevante na atividade; segundo entrevistas fundamenta-se em experiências anteriores ruins que atualmente são refletidas, gerando desconfiança.
A atividade gera emprego, mas não gera receitas e encargos para o município em consequência do descrito anteriormente.
Até o ano de 1.996, a atividade era essencialmente artesanal (garimpo no leito do rio), sem nenhum tipo de preocupação com o meio ambiente. A partir de então, com um maior controle e vigilância do Ministério Público, não só possibilitou melhorias no processo de extração, como também colaborou decisivamente na preservação do meio ambiente ( encostas preservadas e o cascalho lavado fora do leito dos rios ).
Existe dificuldade em regulamentação da exploração do setor, com relação a preservação do meio ambiente, pois está, segundo a lei, em esfera federal, dificultando as ações na área municipal.
A abundante reserva de argila cerâmica presente no solo coromandelense tem atraído os ceramistas das cidades vizinhas de Monte Carmelo e Abadia dos Dourados para a fabricação de telhas, e em menor escala de tijolos. Muitos caminhões circulam pelas rodovias que dão acesso ao município transportando a matéria prima até aquelas cidades.
Apesar de ter a argila própria para fabricação de telhas, Coromandel possui apenas uma cerâmica em funcionamento.
Até 1.997, a extração da argila era realizada praticamente sem nenhum controle ambiental e não havia restauração das áreas exploradas. O fato desencadeou uma certa degradação de áreas rurais no município, e atualmente existem cerca de 20 ações judiciais contra os ceramistas das cidades vizinhas. Em entrevistas realizadas, detectamos muita preocupação das pessoas em relação a esta exploração, que segundo os mesmos, leva-se a matéria prima e não tem gerado riquezas para o município.
Em contato com a Prefeitura e a Secretaria que cuida do assunto, constatou-se que para a exploração da jazida é necessário um projeto do proprietário para a retirada do barro, incluindo a restauração da área e a sua devida aprovação; fato que vem acontecendo desde 1.997.