FINANÇAS PÚBLICAS
Uma das características do setor público brasileiro, em
qualquer esfera de governo, é a permanente dificuldade em manter
suas finanças equilibradas. Com a estabilização da economia,
após a implantação do Plano Real, os desequilíbrios nas
contas públicas tornaram-se mais evidentes, uma vez que qualquer
erro na programação fiscal ou orçamentária, pode provocar
sérias dificuldades financeiras ao município. Neste contexto, o
administrador municipal, por ser da esfera de governo mais
vulnerável, deve ser o mais criterioso possível na
programação dos gastos e o mais realista na previsão de suas
receitas. Para se verificar a situação das finanças do
município de Coromandel, foram utilizadas as informações sobre
a receita e despesas no período relativo aos 04 últimos
exercícios.
Tabela 2.1.4 -Evolução das despesas realizadas por função
Valores atualizados pelo IGP/DI Abr/98 R$1,00
Despesa/Função |
1995 |
1996 |
1997 |
1998 |
||||
R$ |
% |
R$ |
% |
R$ |
% |
R$ |
% |
|
Legislativo |
230.100 |
3,7 |
262.000 |
3,6 |
445.169 |
5,8 |
418.600 |
4,3 |
Adm. E Planejamento |
1.822.071 |
29,0 |
2.019.808 |
27,5 |
2.222.063 |
29,0 |
2.185.009 |
22,4 |
Agricultura |
135.603 |
2,2 |
171.296 |
2,3 |
143.857 |
1,9 |
284.827 |
2,9 |
Comunicações |
1.820 |
0,3 |
2.468 |
0,1 |
||||
Segurança |
409 |
0,1 |
10.727 |
0,2 |
20.162 |
0,2 |
||
Educação e Cultura |
1.261.140 |
20,0 |
1.919.742 |
26,1 |
1.711.697 |
22,4 |
2.589.974 |
26,6 |
Habitação e Urbanismo |
1.009.586 |
16,1 |
308.344 |
4,2 |
168.662 |
2,2 |
253.363 |
2,6 |
Ind./Com./Serviços |
- |
- |
- |
- |
- |
- |
- |
- |
Saúde e Saneamento |
1.215.448 |
19,2 |
1.712.787 |
23,3 |
2.172.015 |
28,4 |
2.552.954 |
26,2 |
Assit. E Previdência |
186.874 |
3,0 |
240.541 |
3,3 |
300.366 |
3,9 |
564.359 |
5,8 |
Transportes |
65.892 |
1,1 |
382.808 |
5,2 |
226.604 |
3,0 |
477.632 |
4,9 |
Outras |
330.258 |
5,3 |
333.031 |
4,5 |
253.950 |
3,1 |
397.247 |
4,1 |
Total |
6.259.201 |
100 |
7.350.357 |
100 |
7.657.578 |
100 |
9.744.127 |
100 |
Apesar dos déficits orçamentários registrados em todo o período, o município de Coromandel não apresenta um quadro de grandes desequilíbrios em suas contas. O déficit atingiu seu nível mais elevado em 1996, quando representou 13,01% da receita orçamentária, sendo que os itens que mais contribuíram para essa situação foram os aumentos de 38,0% das despesas com serviços de terceiros e encargos, e de 21% das despesas com pessoal, refletindo num crescimento de 7,47% nas despesas orçamentárias enquanto as receitas orçamentárias cresceram apenas 0,31% no mesmo período. Em 1997, entretanto, houve uma reversão na tendência de crescimento do déficit e as contas fecharam com um pequeno resultado negativo, equivalente a 3,08% da receita orçamentária, devido basicamente ao maior crescimento das receitas orçamentárias em comparação com as despesas de custeio e investimentos, que no exercício anterior haviam crescido muito. Gráfico 2.1.1 Comportamento da Receita e da Despesa 1995 a 1998 Valores atualizados pelo IGP-DI jun/99 (emR$1000,00)
Fonte : Prefeitura Municipal

As principais fontes de recursos
do município são provenientes das transferências do Estado e
da União. O FPM é a transferência que mais tem gerado
recursos, representando 25,35% da receita da orçamentária, no
entanto, o seu volume tem se apresentado oscilações nos três
últimos anos. O ICMS é a segunda maior fonte de recursos do
município, representando 23,68% da receita orçamentária no ano
de 1998, esta transferência, ao contrário do FPM, apresentou um
crescimento constante em todos os anos. Outra fonte importante
são as transferências relativas ao SUS e outros programas do
Governo Federal/Estadual. Gráfico 2.1.2 Receitas de
Transferências 1995 - 1998 Valores atualizados pelo
IGP/DI Abr/98 
Como em todos os municípios brasileiros as receitas provenientes dos tributos próprios não são muito relevantes no total do orçamento, este fato quase sempre significa que o município tem espaço para um melhor aproveitamento desses recursos elevando sua participação. No caso de Coromandel a receita tributária representou, em 1998, 8,81% da receita orçamentária. As Taxas (limpeza pública, iluminação pública, expediente etc) foram as que mais geraram recursos, representando, 71,0% da receita tributária, seguidas do ITBI, que representou 14,00%. O restante foi gerado pelo IPTU e ISS. Atualmente, a Prefeitura está proibida de conceder qualquer isenção de impostos. No caso do IPTU a prefeitura fornece desconto para aqueles que pagam em dia. Pelo lado das despesas orçamentárias, o custeio foi o item que mais contribuiu na sua composição, chegando, em 1998, a representar 75,06% das despesas totais. Os maiores gastos no município, em 1998, deram-se através das funções Educação e Cultura (26,58%), Saúde e Saneamento (26,2%), Administração e Planejamento (22,42%) e Assistência e Previdência (5,79%).